Lagarta
A Dona Lagarta não podia sair por aí andando que vinham correndo pessoas apontar e dizer ''olha só que coisa feia, nem parece que vai ser borboleta um dia!''. Cansada e amargurada, sentava numa pedra e via o sol se pôr, enquanto pensava e esperava... Pensava tanta coisa, o preço do arroz alto porém naquela mesma semana a linha branca de eletrodomésticos tinha absurdamente abaixado o preço, na velhinha na esquina atravessando a rua perigosa sozinha, se geleia de pera seria o doce mais gostoso de mundo, justamente porque ainda não havia experimentado, também pensava naqueles seres que tanto reparavam nela e também a julgavam, e então sempre no final acabava aborrecida voltando pra casa.
Naquele dia, ao voltar para casa, nada diferente havia acontecido a Dona Lagarta, até que gritou e paralisou de susto ao ver uma uva quase acertar sua cabeça! Uma coruja risonha olhava pra ela, de cima da árvore menos alta que havia ali.
- Tá maluca, pô! Eu podia ter sofrido uma fratura na cabeça! - Disse a Dona lagarta.
Então a coruja, observando aquela minhoca colorida, chegou a se questionar se devia comê-la, afinal, toda colorida, vai que dava um barato. Mas sua barriga estava totalmente cheia de uvas deliciosas, então desceu da árvore e acendendo seu cachimbo, se pôs a observar a primeira minhoca colorida falante que ele já havia visto na vida! Seu nome era Haroldo, e então ele disse:
- Que coisa engraçada, você além de minhoca falante, é colorida! ha ha
Então a Dona lagarta o interrompeu dizendo logo:
- Não sou minhoca coisa nenhuma! Sou uma honrada lagarta! Pode ir me respeitando, logo terei asas como você!
Haroldo rindo, virou de ponta cabeça e disse a lagarta:
- Logo se via que há algo de especial e mágico em você... mas como assim asas? Virará por acaso, uma coruja colorida?
(em construção)

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